A Comunicação de Crise não interessa aos Políticos

Nas sociedades democráticas o poder político e o ‘poder’ jornalístico são dois mundos interligados que, perseguindo objectivos diferentes e tendencialmente opostos, se influenciam e condicionam.

Para contornar, ou ‘controlar’, os media – por definição independentes e poderosos nas democracias ocidentais, onde são o primeiro sinal da liberdade – o poder político cria estruturas e adopta condutas que, por um lado visam minorar os efeitos negativos sobre si exercidos pelo papel fiscalizador da comunicação social e, por outro, fazer passar nos diversos meios, as mensagens que lhe interessa enviar à opinião pública.

Trata-se de tentar influenciar a comunicação social na divulgação dos temas que convém aos governos ver noticiados e conforme o ângulo que lhes interessa. Por exemplo: ocupar os jornalistas com material ‘informativo’ capaz de os manter afastados da atenção a questões importantes, mas delicadas para o governo.

 

A comunicação de crise

“Um acontecimento extra-ordinário, ou uma série de acontecimentos, que afecta de forma diversa à integridade do produto, a reputação ou a estabilidade financeira da organização; ou a saúde e bem estar dos empregados, da comunidade ou do público em geral.” (Wilcox: 2002, 191)

 

Hoje em dia, muito se fala sobre comunicação de crie, administração de crises, estratégias da comunicação, ect…

A comunicação de crise é algo para a qual qualquer empresa deve estar preparada, e mesmo tendo em conta que uma das características desta é a sua imprevisibilidade, pode acontecer a qualquer pessoa ou organização. Nos tempos que correm, uma crise numa empresa ou outro tipo de organização, é rapidamente difundida e ampliada pelos mass media, mas também pelas novas ferramentas de comunicação, tais como, o Messenger, blogs, etc.

Umas das primeiras crises que apareça na série (Ele fará de vez em quando), uma das mais leve na minha opinião, trata de saber quando é necessário responder a uma crise. Neste caso, a crise é interna, dentro da Casa Branca. O Leo tem problemas de álcool e não sabem como abordar o problema. Com verdade e transparência ou com a mentira? Nesta série assumiram o problema com verdade e sinseridade.

Pela sua imprevisibilidade , por vezes, inevitabilidade, poderá ser impossível que aconteça uma crise, contudo, os seus efeitos serão com certeza controláveis. É neste ponto que a comunicação pode fazer toda a diferença, já que uma comunicação de crise eficaz poderá defender a imagem de uma marca, ou empresa, num momento complicado.

 

Como reagir à crise

Nem todas as crises têm origens semelhantes e, portanto, as maneiras de abordá-las também diferem uma das outras.

Todas as organizações estão vulneráveis a crises. A diferença é que algumas, mais preparadas, principalmente, do ponto de vista da comunicação, administraram melhor os problemas. Outras deixam que os factos, ou boatos destruam a sua reputação. Mesmo que haja uma infinidade de variáveis de riscos, é possível preparar-se para enfrentar possíveis crises e, desta maneira, conseguir superá-la com mais possibilidades de sucesso.

As empresas devem preparar um plano de administração de crises para permitir informar todos os públicos envolvidos. Fala-se mesmo em manual de crise, no qual se estabelecem os mecanismos básicos para abordar situações, imediatamente depois de ter corrido o facto.

 

O papel da comunicação nas crises

Todas as crises repercutem rapidamente na imprensa, por conta do sensacionalismo que podem representar para os veículos de comunicação e do espectáculo que podem se transformar para a sociedade.

Nesta corrida por uma informação nova, ou simplesmente pelo melhor ângulo do espectáculo, a imprensa acaba por cometer erros. Mas o mais difícil é saber falar com os jornalistas, saber alimentar bem a imprensa de modo a que se “abra portas” para uma nova crise. A imprensa deve ser bem entendida e abastecida. O porta-voz deve na medida do possível e dependendo do tamanho da crise, atender ás solicitações de entrevistas dos veículos. Os profissionais do departamento de comunicação devem actualizar os boletins (briefings) e divulgá-los diariamente. Este é o trabalho da porta-voz C.J na série “Os Homens do Presidente”. Ao longo das séries visionadas nas aulas, é claro a confiança da comunicadora em falar com os jornalistas. A dialéctica com os jornalistas é muito importante para um porta-voz, e no episódio “Navegação celestial” a C.J não pode realizar a conferência de imprensa diária e Josh acaba por a substituir. O resultado não é o melhor. Este episódio permita ver como é importante saber lidar com os jornalistas, a imprensa e corrigir eventuais erros para que, consequentemente não hja novas crises.

 

E quando não há nada para dizer aos jornalistas?

O saber falar com os jornalistas, a importância do que se diz são factores decisivos para saberem lidar com os profissionais da crise. Mas, e quando há falta de informação? Foi o que aconteceu no episódio “Um dia pouco movimentado”. A C.J diz mesmo que “não tem nada para anunciar hoje”. Será bom ou mau?

Sem dúvida estamos perante uma situação muito delicada, porque os jornalistas têm obrigatoriamente de publicar alguma coisa, senão, não se vendiam jornais e revistas. Por isso, é que os jornalistas precisam de ser “alimentados” diariamente, no contrário, vêem-se obrigados a investigar. Neste caso, não será melhor a Casa Branca “criar factos” para manter a atenção dos jornalistas? A afirmação dos protagonistas na comunicação social faz-se através da elaboração de estratégias da comunicação, que devem ter em conta a necessidade de ocupar o espaço mediático, que é finito e disputado por muitos. Para resolver a falta de informação para os jornalistas, era talvez necessário criar uma espécie de falsa realidade construída com o objectivo de tornar “obrigatório” a publicação por parte dos jornalistas, isso é, o que chamamos de pseudo-acontecimentos. Os pseudo-eventos são “falar directamente para o coração dos jornalistas”.

Fuga de informação. O que fazer?

Um exemplo de pseudo-eventos é a fuga de informação. A “fuga” tornou-se uma instituição sendo um dos processos mais usados na transmissão de informações por parte das fontes oficiais. A “fuga” é muitas vezes utilizada para esconder determinados objectivos. A “fuga” começou a ser utilizada por fontes oficiais para poderem transmitir informação confidencial á alguns jornalistas. Hoje, tornou-se uma maneira institucional de transmitir informação. No episódio “Vida em Marte” estamos perante uma fuga de informação. O Vice-Presidente mantém uma relação secreta com a secretária e muita informação confidencial sobre a Casa Branca é revelada. Nos dias seguintes, esta informação sai em todos os jornais. A ambiguidade do ambiente de confidência (relação secreta) e intriga em que se processa criam um clima de confiança entre jornalistas e fontes. Desta forma, os jornalistas conseguem extrair toda a informação desejada, o tal sensacionalismo que faz vender os jornais e revistas.

 

 

Fuga de informação como instrumento para resolver uma crise em política

A vida política é influenciada por um conjunto de técnicas (os media e as sondagens), de actores (os jornalistas e os conselheiros de comunicação) e de práticas (o marketing politico).

A política tornou-se, assim, um lugar privilegiado do espectáculo. Mas sem a ajuda dos jornalistas, os políticos não poderiam criar eventos que lhes trazem poder e notoriedade. Neste caso, os jornalistas são aliados dos políticos. Os jornalistas procuram constantemente novas “histórias” e os líderes políticos são a sua fonte principal. Isso, porque os políticos necessitam dos media para fazerem chegar ao publico as suas mensagens.

No episódio “Things Fall Apart”, a fuga de informação é utilizada para poder esconder uma informação que a Casa Branca não quer que seja divulgada. Neste episódio, é relevante a utilização de uma notícia para esconder outra. O Presidente tem uma doença o que o pode fragilizar na sua próxima candidatura. A oposição quer utilizar este facto para ganhar votos. Para que esta situação não se alastra até a imprensa, há uma espécie de notícia “inventada” sobre um vazamento de oxigénio e um resgate de astronautas. Isso para, distrair os média, com o objectivo de eles não publicarem nada sobre o Presidente. Neste episódio, a fuga de informação é utilizada para tentar resolver uma crise política.

 

Marketing político: a Sondagem

O Marketing político assenta em valores, na arte e ciência da ética da persuasão, na verdade, no rigor técnico e científico. Como novo modelo das ciências da comunicação e informação, que faz a simbiose de programas de relações públicas, a publicidade e produto, analisa e adequa-se á complexidade da sociedade contemporânea.

O Marketing Politico é sinónimo de marketing eleitoral, uma actividade com objectivos imediatos de colocar o partido ou candidato em posições decisivas do poder público, não passando de uma fase do próprio Marketing político. O trabalho de todos os assessores do Presidente para a sua campanha eleitoral é um bom exemplo para seta fase do Marketing Político.

O Marketing Político usa fundamentalmente quatro áreas de Marketing:

1.       Estudos de opinião (sondagens, focus group) para preparar as mensagens e testá-las antes e durante a campanha;

2.       Publicidade/Propaganda/Merchandising (publicidade, cartazes, isqueiros, páginas na Net);

3.       Marketing directo (o porta-a-porta do próprio candidato, arruadas, comícios – tudo o que envolva contacto directo);

4.      Relações públicas (assessoria de imprensa – tudo o que pressuponha a intermediação feita através dos jornalistas – entrevistas, declarações programadas, reacções, “fugas” de informação, exclusivos, o soundbite como desenvolvimento dos pseudo-eventos).

O que nos interessa particularmente é desenvolver a existência de sondagens na política. A sondagem política funciona como um estudo científico destinado a auscultar as opiniões e atitudes dos cidadãos sobre questões politicas, sociais e outras, recolhendo a respectiva informação junto de um conjunto de indivíduos representativo do universo populacional que se pretende abarcar.

Na série “Irmãos e Irmãs”, no momento em que o candidato faz um discurso, o seu grupo de assessores está a fazer um estudo de opinião, onde através de um gráfico conseguem ver como a opinião pública está a reagir ao discurso.

Mas existem outras formas de fazer sondagens, através do telefone, com inquéritos e o focus group.

No filme “Boris” são constantes as realizações de focus group ao longo do decorrer da campanha para saber a opinião das pessoas dobre o candidato Yeltsin. É uma forma de prever a reacção das pessoas e saber como o assessor pode intervir junto delas.

As sondagens políticas só têm sucesso se tiverem cobertura jornalística. Uma cobertura jornalística guiada pelas sondagens de opinião tem como resultado a redução drástica da discussão dos problemas políticos existentes num dado momento.

Em síntese, o marketing político está ligado ao discurso persuasivo que tem por objectivo levar-nos a conclusões definitivas, prescreve-nos o que devemos desejar, compreender, temer, querer e não querer. Já Clausewitz dizia: “que a politica é uma guerra sem efusão de sangue.

Exemplo de marketing político em Portugal: http://diario.iol.pt/politica/pcp-marketing-politico-politica-psd-marketing-politica/941586-4072.html

 

A mentira como instrumento do marketing político

 

“ A politica é um lugar privilegiado da mentira, na medida em que esta é considerada como um utensílio necessário e legitimo, não só para o politico, mas também para o homem do estado.” Hanna Arendt.

Dado que os políticos têm uma responsabilidade pelo bem comum, é compreensível que se mentirem publicamente irão romper a palavra dada (sobretudo depois das eleições), ou seja, irão perder a credibilidade perante os cidadãos. É por isso, que existem manobras de bastidores, manobras de diversão, manipulação, etc. Todo o trabalho feito “atrás do pano” durante uma eleição e no próprio mandato nunca é visível aos olhos do povo. É lógico que a mentira acompanha o marketing político, porque ele consegue criar uma imagem/personagem diferente. Por exemplo, o nosso presidente da república nunca aparece em grande plano porque não transparece credibilidade. No filme “Boris”, Yeltsin não aparecia em cartazes porque nunca se ria o que lhe dava uma imagem negativa.

O melhor exemplo desta ligação entre a mentira e o marketing politico está na serie “Lies, Damnlies and Satistics” em que a equipa do presidente tenta pressionar um homem para ele aumentar as estatísticas a favor da casa branca. Para isso, oferece pequenos presentes para o convencer, como por exemplo conhecer o presidente e falar com ele.

Não admira portanto que o marketing tenha chegado à política, como conjunto de técnicas que, postas ao serviço de ma figura, lhe vão dar popularidade, simpatia, votos.

 

O uso da mentira para responder a uma crise

A comunicação de crise ensina que perante situações de adversidade, compensa mais enfrentar o caso, assumir e reconhecer. Ou seja, existem duas formas para reagir a uma crise. A primeira consiste na utilização de técnicas conhecidas como comunicação de crise (enfrentá-la com sinceridade e disponibilidade para colaborar). A segunda forma consiste em manobras de bastidores, isto é o uso da mentira e o desviar das atenções para ouros factos. As manobras de bastidores são uma estratégia que passa por desviar a atenção dos jornalistas, criando factos que são apenas “cortinas de fumo” e que obrigam a comunicação social a olhar para outros lados, porventura desviando-se do essencial.

O filme “manobras na casa branca” é o exemplo ideal da utilização de manobras de bastidores. Para abafar um escândalo durante os próximos 11 dias antes das eleições, são inventados novos acontecimentos, uma doença do presidente e criam o rumor, tudo para desviar a atenção dos jornalistas.

No episódio “universitários” também é visível o uso da mentira da desinformação relativamente à morte de Abel Sharref, no sentido de não prejudicar a imagem da casa branca e de os jornalistas não o relacionar com a morte.

Os momentos mais difíceis de uma crise podem também ser uma fonte de oportunidades. A exposição pública gratuita a que se vê submetida uma empresa quando está a passar por uma crise, não conseguirá nunca mas. O publico estará mais atento que o normal sobre o que acontece com uma empresa enquanto duram os acontecimentos. Neste sentido, se a crise for bem gestionada, e se tiver oportunidade de atenuar o lado negativo da cobertura mediática, é possível lançar mensagens positivas sobre a empresa, os seus produtos e serviços. Esta oportunidade não tem que ser vista nos últimos momentos da crise, onde a atenção aos factos esteja decaindo e as mensagens sejam vistas como uma reacção retardada e suspeita por parte da empresa.

Seria então recomendável procurar a oportunidade desde os primeiros instantes, ainda que isso nem sempre seja possível e até mesmo desaconselhável algumas vezes. Deve-se pensar que não é por casualidade que uma civilização milionária como a chinesa tenha composto a palavra crise com dois símbolos que representam “o perigo” e “a oportunidade”.

Um exemplo: na serie “irmãos e irmãs”, o candidato fala com os homens da guerra para conseguir sair de um rumor                sentido de oportunidade.

 

A manipulação e a crise

Como já vimos anteriormente, uma maneira de reagir face a uma crise é utilizar a mentira. Mas, por vezes, há quem use a manipulação da opinião pública, dos jornalistas, etc…

Quando não se emprega a verdade perante uma crise, emprega-se a mentira, pela manipulação, pelas manobras de diversão. Os assessores não negam uma situação, porem, manipulam-na. A manipulação da política é completamente aceitável, sendo usada para ganhar votos. 

A manipulação define duas ideias diferentes:

1.       Manipulação inocente – que seria aceitável, que tem como sinónimo a verdade. Consiste em escolher uma parte da realidade para definir os nossos interesses;

2.       Ideia de Falsidade – consiste em alterar a realidade, criara factos, ficcionar. É Marketing Político.

No caso do filme”Manobras da Casa Branca”, perante uma crise, criaram-se manobras de diversão ou pseudo-acontecimentos, mas nem sempre é possível. Há situações em que compensa mais enfrentar o caso, assumir e reconhecer.

No episódio “Sentido”, surgem receios de um ataque terrorista quando acontece um acidente com um camião que transportava substâncias perigosas dentro de um túnel. A manobra utilizada para camuflar a gravidade do assunto é virar todas as atenções para a eleição de um novo vice-presidente. Nesta serie, o relevante é o facto de os jornalistas serem instrumentos manipulados pelos políticos. Quando precisam deles para fazer campanha, por exemplo, querem-nos perto. Mas quando existem situações mais complicadas fazem de tudo para desviar a atenção dos jornalistas.

Mas os políticos não manipulam apenas os jornalistas. A ideia do “vale tudo” para manipular a opinião pública e assim ganhar as eleições ou manter-se no poder é muito mais preocupante. Em “Manobras da Casa Branca” existem vários casos de manipulação da opinião pública, por exemplo, quando encenam um cenário onde uma rapariga albanesa foi violada e foge. Inventam imagens para a comunicação social ter que mostrar ao público moldando assim a sua opinião.

 

A campanha negativa

A campanha negativa é uma campanha em que o candidato se empenha em “dizer mal” do adversário. Em vez de evidenciar as suas qualidades e fazer campanha á sua própria pessoa, ele prefere evidenciar os defeitos do candidato, fazendo ataques pessoais. Isso consiste numa técnica de marketing político.

Existem vários pressupostos que caracterizam uma campanha negativa, como fazer uma acusação ou tipo de linguagem utilizada (insultos e enxovalhos), sendo mesmo divulgadas em outdoors, na televisão e na internet como rumor ou boato.

 

Como reagir perante uma campanha negativa?

Há duas formas de reagir a uma campanha negativa. Primeiro reagir com verdade e oportunidade. Como fez o candidato em “Irmãos e Irmãs”, quando fez um discurso para “sair” de um rumor. Usou a verdade e a transparência. Mas também o sentido de oportunidade visto que o discurso era muito emocional apelava ao coração das pessoas, conseguindo assim mudar a opinião das pessoas. Outra forma de reagir a uma campanha negativa é desviando as atenções e não lamentar o erro. Ou seja, desacreditar o mensageiro, criando manobras de bastidores (ficcionando a realidade, manipulando-a). Inverter a realidade, encontrando uma alternativa falsa.

Um exemplo real: Bush mandou invadir a ilha de “Granada” no dia em que saiu um relatório negativo sobre ele.

A campanha negativa remete-nos sempre para o campo pessoal, no contexto da campanha politica. Em “Boris”, a campanha politica utilizada para o candidato Yelstin remete para a campanha negativa. Para poder atacar o adversário e não podendo depender do passado de Yeltsin, os assessores afirmem que terão de recorrer a campanha negativa. Há duas semanas das eleições, eles insistem em fazer campanha negativa porque só assim podem ganhar. Diz mesmo que “neste ramo nem tudo é verdade”. A campanha negativa incluiu anúncios, slogans, pelotões da verdade.

Na série, os “Homens do Presidente” também estão presente exemplos de campanha negativa, quando o sucessor de Jed Bartlet e o adversário fazem ataques pessoais um ao outro. Na série “Irmãos e Irmãs”, num período de eleição um dos candidatos faz campanha negativa para poder ganhar votos. Mas os assessores do outro candidato descobrem que ele tem um filho deficiente que nunca quis reconhecer. Podia ser uma boa situação para atacar o adversário, para fazer campanha negativa, mas o candidato recusa-se a ganhar ao baixo nível.

Consultar: http://contollc.blogspot.com/2008/05/marketing-viral-campanha-negativa-da.html (vídeo)

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/04/19/obama_acusa_clinton_de_campanha_negativa_426970659.asp

 

As novas tecnologias da informação como inimigos ou aliados em momentos de crises

Quando a comunicação social aborda a temática de um rumor está a dar importância ao que não deveria ter. o espaço público mantém-se: “se aparece na televisão é porque existe”.

Os novos meios de comunicação exigem novos tipos de públicos que saibam como utilizá-los. A televisão revolucionou a nossa percepção do mundo em especial do mundo social e, dentro dele, da actividade política.

A chegada das novas tecnologias significou o acesso massivo a toda a informação ao mesmo tempo, em qualquer parte do mundo. Isto tem vantagens e inconvenientes na hora de responder a uma crise. Os maiores inconvenientes estão na capacidade de multiplicação de um facto, até transformá-la num acontecimento de maiores dimensões. Além de mais, muitos produtos de rumores que circulam pela Internet, através de fóruns, listas de discussão, ect. Entre as vantagens, destaca-se a capacidade de manter uma gestão da crise, assim como a capacidade de distrair informação de forma imediata.

Cada vez mais jornalistas de todo o mundo buscam informação directamente das páginas Web.

 

“Spinning” da informação e os “Spin Doctors”

A manipulação tem como finalidade levar o outro a agir ou a pensar o que nós queremos, ou seja, criar um facto que desvie as atenções. O mestre da manipulação é denominado por “Spin Doctors”.

Spin Doctor é como se fosse um assessor de imprensa, que tenta “virar” ou condicionar a agenda mediática e as noticias que saem ou vão sair. Tentam “vender o peixe”, minimizar danos de uma má noticia, aconselham os seus clientes na sua relação com a imprensa.

A diferença entre um assessor de marketing actua na publicidade. Por isso, é que ele não se designa por assessor de imprensa e é uma pessoa que não olha a meios para alcançar os objectivos previamente estipulados e persuadir os jornalistas e a opinião pública. No fundo, ele aconselha e constrói a opinião, as ideias e a imagem do candidato em causa, recorrendo a grupos de controlo (focus group) e as sondagens.

A principal função de um spin doctor será a de manipular a informação criando mensagens (frases “assassinas”; soundbites) e casos fictícios, com o objectivo de influenciar até grupos de decisão como o Parlamento.

Em “Manobras na Casa Branca” isso é bem visível. O Spin Doctor contrata um realizador de cinema para “encenar” uma mentira que pareça verdade.

O Spinning, ou seja, inventar uma ficção que dentro em breve estará na comunicação, ainda é considerada uma actividade secreta. Os Spin Doctors são pessoas discretas porque não podem deixar “rastos”. Eles, ao fim e ao cabo, não existem, por isso, é que esta actividade ainda viva na clandestinidade. Ao longo do filme “Manobras na Casa Branca” é notável a constante manipulação da comunicação social que no fundo é a principal função do Spin Doctor. Para esconder um escândalo sexual há onze dias das eleições são diversas as manobras de diversão. Primeiro inventam uma guerra (at+e uma música) para desviar a atenção do público do escândalo; inventam um herói (com musica também); fazem um focus group para testar o discurso do Presidente; o funeral do herói (emoção) e o desaparecimento do produtor, porque uma das regara do spinning na politica é que nunca se saiba quem fez e o que fez.

Tudo isto é um bom exemplo do trabalho de um spin doctor:

a)      Inventar uma realidade para esconder outra;

b)      Desviar a atenção para outras coisas – manobras de diversão;

c)      Manobras de bastidores (não deixar que o escândalo sexual se alastra aos jornais);

d)     Manipulação da opinião pública perante a comunicação social;

e)      Moldar a imagem do candidato recorrendo ao focus group e as sondagens.

No filme “Boris” também é interessante maneira como os assessores criam a imagem do Yeltsin para mudar a opinião pública em relação a sua pessoa. São realizadas focus group e sondagens para testar o impacte dos discursos de três horas. O Presidente aceite fazer anúncios na TV e a comunicação social tem junto do público. Até um simples pormenor como um sorriso pode fazer toda a diferença.

 

Um caso no panorama português

O desaparecimento de Maddie no Algarve já ultrapassou há muito o “mero” desaparecimento de uma criança. Os pais de Maddie tiveram ao seu serviço um ex-spin doctor de Gordon Brown (primeiro-ministro da Grã-Bretanha), Allistair Campbell. É óbvio que para além da atenção mediática que define este caso, este acontecimento tornou-se uma verdadeira batalha mediática. Por parte dos pais há sempre uma enorme preocupação sobre o que se escreve, diz e aparece nos jornais, rádios e televisões. Porquê? Num dia, espalhem milhões de fotografias da menina, no outro falam de um raptor com fotografia e tudo. Mas então, porque contrataram assessores de imprensa? Quando as noticias falaram de um possível avistamento da menina em Marrocos, mandaram até e-mails anónimos para o Príncipe Carlos (porquê o Príncipe Carlos e não a polícia? Para dar mais credibilidade? Para mais facilmente aparecer nas noticias? Porque foi mesmo assim?).

A regra do Spin Doctor é virar as notícias a favor de quem nos contrata. Sobre este caso, tenho as minhas dúvidas…

Vídeo: http://maisoumenospolitica.blogspot.com/2007/12/por-falar-em-spin-doctors.html

Reflexões Finais

 Gerir uma crise não é nada fácil. Hoje, já existe muita informação sobre comunicação de crise, mas uma coisa é na teoria e outra é na prática quando estamos perante ela. Deveríamos na maior parte das vezes reagir com verdade e transparência, assumir o erro, dizer “sim eu errei, assumo as culpas”. Mas quando se trata de politica a história muda de cenários. Como todos sabemos, os políticos quase nunca dizem a verdade. Então, na política como se reage a uma crise? Com mentira, falsidade, manipulação, manobras de bastidores, manobras de diversão…enfim, inúmeros “truques” para fugir da verdade desviando a atenção dos meios de comunicação e das pessoas para aquilo que lhes interessa. Não posso concordar de todo que a comunicação de crise não interessa aos políticos, porque muitas vezes as “encenações” criadas para moldar a opinião pública acabam por se transformar numa oportunidade para o político, quando as coisas correm bem, claro. A comunicação de crise não interessará o político quando a crise lhe afecta directamente não podendo usar a mentir para escapar. O spinning ainda é uma actividade muito precária, que vive na clandestinidade, não havendo muito informação sobre ela. Uma forma de a definir seria usando uma frase do spin doctor em “Manobras na Casa Branca: “sou como um canalizador. Ponho as coisas a funcionar.”